TRILOGIA DA NECESSIDADE

 

Após 4 anos de pesquisa, o Coletivo Dolores, por meio de três núcleos temáticos, traz a público, três atos teatrais. Cada um comportando sua autonomia cênica, de linguagem e tema, compõe em conjunto uma unidade de reflexão estética – as necessidades básicas dos sujeitos, como o sexo (P.U.T.O.), a alimentação (Narrativas na cozinha) e o descanso (O direito à preguiça), e como se dá essa relação necessidade X possibilidade na dinâmica da nossa sociedade orientada para a produção de serviços-mercadoria e produtos-mercadoria padronizados, anônimos e abstratos. Assim, permeados pela alienação do mundo do trabalho, a Trilogia da Necessidade aborda esses diferentes eixos temáticos sob a perspectiva das contradições que envolvem nossas necessidades e o meio pelo qual se dá suas realizações.

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À você Dona Arlinda,
por todo carinho, conversas trocadas na cozinha de chão batido, franguinho na panela de barro, fogão à lenha.
“A cozinha do meu terreiro é semeada em punho coletivo, é semente crioula, é atabaque, é tambor, a fumaça já avisa: a cozinha de meu terreiro é lenha pra queimá o caldo de tanto chão sem plantador, chama a lua pra festejá mais um terreiro de pé vermelho que hoje conseguiu plantá. Sustento e história pros filhos desse lugar”.

Temporada 2018
Aos sábados
22 de setembro
29 de setembro
6 de outubro
Sempre às 19hs

“Um copo de barro de 100 ml de água da fonte, da bica, do regato que passa no quintal dessas duas propriedades. Mas não se preocupe não que eles não vão enjeitá um copinho d’água porque eles sabem que água não tem dono.”

 

Naiman

“Me cozinho todos os dias
Mais com a panela tampada
Ninguém vê a pressão”

Fernando Couto

Parte III - “Narrativas na cozinha”

 

Somos o que comemos – a cozinha, onde tudo acontece, é um lugar em disputa: indústrias, prazeres, comércios, pão de ló, café com histórias, política, farmácias, envenenamentos, panelas de barro com doce de leite, pão de queijo, espetacularização midiática. A necessidade do alimento é convertida em necessidade de consumo. Interesses econômicos de grandes grupos capitalistas transformam estes alimentos em jogos lucrativos.
O que colocamos em nossa mesa? O que nos é oferecido em abundância? Quem produz? Por que produz? Que cozinha queremos?
A peça de 120 minutos de duração é ambientada num restaurante-cozinha-cenário, mesas são dispostas para o público, num jogo de aproximação e distanciamento, permeados por narrativas e canções. O universo da cozinha expande seus limites boca adentro e devora a distância entre atores e público quando no final do espetáculo, todos são convidados para, em mutirão, confraternizar na cozinha caipira, saboreando o fazer e o comer em coletivo.

Comer é um ato político!
 

 

FICHA TÉCNICA:

Coletivo Dolores Boca Aberta: Alexandre Gonçalves, Cristiano Carvalho, Cristina Adelina Assunção, Danilo Monteiro, Daisy Serena, Dirce Ane, Erika Viana, Fernando Couto, Fernando Oliveira, Gloria Orlando, Karina Martins, Leticia Laranjeira, Luciano Carvalho, Luis Mora, Maria Aparecida, Mariana Moura, Nica Maria, Tati Matos, Tiago Mine e Tita Reis
Núcleo Narrativas na Cozinha: Fernando Couto, Leticia Laranjeira, Maria Terra, Nica Maria, Tati Matos e Tita Reis
Passaram pelo núcleo: Fátima Rocha, Jacqueline Kaczorowski, Luciano Costa, Quinho Gonça, Viviane Santos e Yane Santiago
Criação do espetáculo: Núcleo Narrativas na Cozinha
Criação dramatúrgica: Fernando Couto
Colaboração dramatúrgica: Núcleo Narrativas na Cozinha e Márcio Rodrigues
Direção Geral: Fernando Couto
Direção Cênica: Márcio Rodrigues
Direção Musical: Tita Reis
Produção do espetáculo: Gloria Orlando, Karina Martins e Mariana Moura
Cenário: Fernando Couto
Colaboração na construção da Cozinha Caipira: Fernanda Gonçalves, Tica e Grupo Teatral Parlendas
Figurino: Leticia Laranjeira e Nica Maria
Iluminação: João Alves
Técnica de luz e som: Cristina Adelina Assunção e Dirce Ane
Fotos: Alexandre Gonçalves, Daisy Serena e Maria Terra
Vídeos: Luis Mora
Arte do programa e cartaz: Dirce Ane
Confecção de bonecos Teatro de Sombras: Dirce Ane e Fernando Couto
Designer gráfico: Mariana Moura
Ciranda: Coletivo Dolores
Agradecimentos: Antônio Francisco, Juninho Batucada, Marco Antonio dos Santos, Naiman, Paula Cortezia, Renan Rovida, Shirlene Martins, Tuchê e Coletivo Dolores