TEATRO MUTIRÃO

É a insistência em fazer arte, a busca pelo trabalho não alienado, as tentativas de organizar-se coletivamente e de forma horizontal.
A formação da consciência de que o fazer (como produção da materialidade) influi sobre a criação artística e sua relação com o entorno.
É pesquisa permanente dessa mistura e das fronteiras demanchadas que existem na figura do trabalhador-artista.

Nestes anos de construções cênicas e diálogos estéticos na cidade, surge a necessidade de aprofundar e sistematizar o fazer artístico do coletivo Dolores a que chamamos de Teatro Mutirão. Tal conceito retrata a forma de organização, de produção artística e de estética combativa do Coletivo Dolores, e tem sido objeto de pesquisa de Trabalhos de Conclusão de Curso, Mestrados e Doutorados, em diversos campos acadêmicos do conhecimento, como o Teatro, a Antropologia, o Jornalismo e a Geografia. Nessa caminhada de inúmeras produções (peças, agit-props, experimentos cênicos e audiovisuais, musicais, atos poéticos, plásticos e outros) construímos de modo mais ou menos consistente uma poética em nosso fazer artístico e político. De fato essa foi sempre uma preocupação do coletivo: como construir um modo próprio de fazer arte, pensando estética e política de modo alinhavado? As respostas foram sendo forjadas junto com as demandas criativas de cada produção. E agora percebemos que o acúmulo gestado nesses anos de grupo exige de nós uma formulação aprofundada, para dentro e para fora do grupo, que dê uma base formal e conceitual do que é o nosso fazer, do que é fazer Teatro Mutirão. E, o melhor, que possibilite que nós, os sujeitos periféricos do nosso fazer, tenhamos autonomia para construir um pensamento acerca da nossa própria prática, de nossas descobertas e experimentações.

 

 

VÍDEO //

"TEATRO MUTIRÃO: PÓLEM, PÓLIS E POLÍTICA" 

DOLORES BOCA ABERTA